São Leopoldo - Rio Grande do Sul - Brasil

Proteção de animais – uma ilusão?
Quero montar um abrigo

"Se eu ganhasse na loto, compraria uma chácara e recolheria todos os animais da rua!" Beleza! - Beleza?

Recolher todos os animais? Quantos vivem nas ruas? 1.000? 10.000? 100.000?

Quantos animais podem ser cuidados numa chácara sem que eles sofram por falta de tratamento, falta de carinho e falta de espaço? A resposta depende da existência de vários pré-requisitos:

1. Área física para os animais - animais precisam de espaço. Criar animais saudáveis em canilzinhos ou gaiolas não é nenhuma vantagem para os animais. Um cão precisa por kg do seu peso de no mínimo 1m2 para se movimentar.

2. Instalações - os canis devem ser fortes, seguros e espaçosos, com no mínimo 15 m2 para animais correrem e brincarem. Cada canil precisa de proteção contra o vento, frio, chuva e sol para cada um dos seus moradores. Mas precisa também lugares para tomar sol de manhã! Uma bacia com água fresca é óbvio. Um gato precisa de bem mais espaço, precisa trepar, viver "no alto", precisa de sol, principalmente no inverno. O gatil precisa de uma tela por cima para evitar acidentes.

3. Mão-de-obra - somente dando comida, água e limpando, um tratador pode tratar de 100 até no máximo 200 animais, dependendo das instalações. As instalações se estragam rápidamente, precisam de alguém que faça as manutenções. Sempre podem acontecer imprevistos, até acidentes. Os animais precisam de uma pessoa confiável, que esteja 24h por dia por perto.

4. Meios para alimentação - não adianta comprar uma ração baratinha, sem proteínas, dar polenta ou feijão, buscar restos de um restaurante (cheio de palitos, tampas de garrafas e guardanapos!!!) e depois gastar de montão com veterinários e remédios. Quem pensa em criar animais, deve saber que alimentação boa é fundamental.

5. Tratamento veterinário - o veterinário é o aliado número UM de cada animal. Se não pode ser contratado um, pelo menos deve-se ter um ao alcance 24 horas por dia.

6. Castrações - a existência de cães nas ruas mostra que existe mais oferta do que procura por animais. Por isso, é fundamental evitar mais ninhadas indesejadas. Castrar cadelas e gatas e, se possível, também os machos, deveria ser óbvio para cada um que se considera protetor.

7. Adoções - recolher animais e estocar num lugar impede a agilidade de aceitar mais animais. A idéia deve ser achar famílias que cuidem bem dos animais, para obter mais espaço para outros animais necessitados. Reconhecemos que este ponto é o mais problemático no trabalho com animais abandonados.

8. Amigos - promover feiras, despertar a mídia, arranjar colaboradores é um trabalho muito difícil e demorado. Amigos que se envolvem neste trabalho são os pilares de cada entidade.

E mesmo com todos os pré-requisitos preenchidos, fica a pergunta: Quantos animais podemos abrigar? O Projeto Pro-Animal não é um lar definitivo, nem um depósito para os animais e menos ainda um "lixão vivo", onde os bichinhos serão somente mantidos vivos, mais nada. Por esta razão não podemos aceitar todos os animais que as pessoas querem entregar por motivos diversos.

O Projeto Pró-Animal se entende como um "lar temporário" para animais em apuros. Eles encontram aqui um tratamento adequado e um ambiente onde podem brincar alegres e sem medo. Recuperados e castrados eles serão oferecidos para adoções na sede e nas feirinhas organizados por voluntários.

Sendo um “lar temporário”, significa que os animais aceitos ficam um determinado tempo na entidade e a pessoa que entregou um animal se responsabiliza de três coisas:
1. pagar todas as despesas do tratamento adiantado
2.se encarregar da castração
3.procurar por um lar definitivo
Mas, a realidade é outra. Uma caixa com filhotes, um cão amarrado no portão, vítimas de maus tratos ou uma ninhada de gatos jogados no mato são o resultado triste da ganância, covardia e irresponsabilidade das pessoas. Estes animais precisam de ajuda, e já.

Uma entidade que se sente na obrigação física, moral ou política de recolher mais animais do que recomendável conforme dos pré-requisitos citados a cima, vai enfrentar certos problemas.

Animais que vivem apertados estão mais sujeitos à doenças, brigas etc.
Em entidades com falta de alimentação observa-se o canibalismo entre os animais.
A adoção de animais não-castrados, garante a continuação do trabalho por muitas gerações, que não pode ser o sentido da entidade.
A falta de um tratador caprichoso deixa os animais viverem nas suas próprias fezes, provocando mau cheiro e doenças.

O número ideal dos animais abrigados depende de muitos fatores. Ultrapassar este número pode levar a entidade se não ao colapso, no mínimo ao desconforto dos hóspedes.

Como manter o número certo? Esta pergunta é a mais polêmica de todas. A entidade que não dispõe de meios, voluntários e espaço ilimitado, não pode evitar escolher um dos dois males:

1. Ou ver que animais rejeitados serão mortos cruelmente, morrem nas ruas ou amarrados no mato.

2. Ou aceitar todos os animais e fazer uma escolha, quais devem ficar vivos (Estas entidades recebem mais críticas do que matadouros de ovelhas!!!).

O Projeto Pro-Animal por enquanto escolheu a primeira alternativa, sabendo que o seu trabalho é incompleto. A ênfase das atividades é cada vez mais a castração. Não somente dos animais vivendo no Projeto Pró-Animal, mas também ou até principalmente, dos animais nas vilas, da população que não pode pagar um valor equivalente à renda familiar para castrar um animal.

Uma cadela pode ter duas ninhadas por ano de seis filhotes cada. Se a metade delas são fêmeas, ela pode ter seis filhas que no ano seguinte poderão ter cada uma uma dúzia de filhotinhos, e a mãe não pára de parir. Sete dúzias no segundo ano, filhos e netos. No terceiro ano já têm quarenta e uma ninhadas, 250 lindos filhotinhos....

Tudo mal, na verdade não são tantos, pois a maioria morre atropelado, morto a pauladas, de doenças, fome, frio e falta de tudo. Resumo: UMA CASTRAÇÃO faz mais efeito do que chorar noites a fio sobre os pobres bichinhos nas ruas.

E agora, imaginem, castrações em massa.....

Não podemos proteger um animal melhor de todos os males de que evitando seu nascimento!




Talvez um cão abandonado - que não foi aceito num abrigo superlotado?